Alimentação com carne e cancer, existem verdades nisso?

1111aaaacarnednaO câncer colorretal é uma neoplasia que acomete qualquer porção do cólon e reto. De acordo com a American Cancer Society, é o terceiro mais comum entre homens e o segundo entre as mulheres. O Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima cerca de 32 mil novos casos de câncer colorretal em 2014.

Segundo o estudo European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition (EPIC), realizado em 10 países europeus, onde 520.000 pessoas foram analisadas, existe relação entre o padrão alimentar, o estado nutricional, o estilo de vida e os fatores ambientais com o surgimento de alguns tipos de cânceres. Relacionaram, também, uma dieta rica em fibras com a redução do risco de câncer colorretal, por outro lado, levantaram hipóteses sobre o risco deste câncer e o consumo de carne vermelha e carne processada.
De acordo com estudo publicado pela International Journal of Cancer, as populações que consumiam altas quantidades de carne vermelha tinham maior incidência de câncer colorretal. O consumo de carne vermelha e carne processada estão associados à formação de tumores devido aos potenciais agentes cancerígenos, tais como nitrato, nitrito, aminas heterocíclicas, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, aditivos e conservantes presentes desde o processo de conservação até o processo de cocção.
Sais de nitrato e nitrito são usados na carne para conservação, além de conferir características sensoriais aos produtos curados. O nitrito interage com os compostos nitrogenados são transformados em nitrosaminas que podem danificar o DNA levando a formação de tumores.
As aminas heterocíclicas são produzidas durante o processo de cozimento (grelhar, fritar e assar) das carnes bovinas, que junto a outros compostos presentes na carne, tais como sais, nitratos, nitritos, ferro, gordura saturada e estradiol, promovem o aumento da síntese de DNA, proliferação celular e formação dos radicais livres que levam ao surgimento do câncer.
O processo de defumar ou assar a carne faz com que hidrocarbonetos aromáticos policíclicos sejam liberados pelo carvão no momento da queima, a fumaça da queima faz com que esses hidrocarbonetos impregnem na camada externa da carne, deixando-a  potencialmente tóxica.
Em contrapartida, o relatório sobre “Alimentos, Nutrição, Atividade Física e Prevenção de Câncer”, da World Cancer Research Fund Intenational e American Institute for Cancer Research (WCRF/AICR, 2007), mostrou que o consumo de alimentos de origem vegetal rica em fibras, como cereais integrais, legumes, verduras e frutas oferecem uma medida de proteção contra este tipo de câncer. Recomenda-se o consumo de no mínimo 5 porções ou 400g/dia do grupo de origem vegetal, na qual deve-se preferir os alimentos frescos.
A WCRF/AICR, 2007 recomenda a redução do consumo de carne para menos de 500 g por semana, incluindo pouca ou nenhuma quantidade de carne processada e ao consumir carnes vermelhas deve-se dar preferência aos cortes magros com pouca gordura.

Autora: Nutr. Carolina Figueiredo

Referências:

http://www.cancer.org
http://www.inca.gov.br/estimativa/2014
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