Muito açúcar e poucos nutrientes: o que há por trás dos alimentos que consumimos

Foto: Justyna Furmanczyk
Foto: Justyna Furmanczyk

O consumo de açúcar da população mundial está muito acima do recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde). O máximo estabelecido é 10% das calorias diárias da dieta. Isso significa que se uma pessoa necessita consumir 2000kcal por dia, a quantidade de açúcar equivalente seria 50g, ou seja, 10 colheres de chá. Ainda utilizando esse exemplo, podemos dizer que enquanto a recomendação da OMS é de 50g para um adulto, a média de consumo mundial é 57,5g/dia. Pior é a situação dos brasileiros que consomem em média 150g por dia ou 55Kg ao ano.

Neste momento você deve estar pensado que isso não acontece com você, afinal nem usa tanto o açucareiro assim. E é aí que começa o engano. Diariamente, podemos não adicionar tanto açúcar aos alimentos que consumimos, mas ele está “escondido” em muitos produtos industrializados que fazem parte na nossa alimentação. A quantidade de açúcar presente em 1,5Kg de cenoura é o equivalente a 1L de refrigerante. Veja a tabela de equivalência abaixo e entenda melhor:

Alimentos

Açúcar

1 bolacha recheada

1 ½ colher de sopa

1 milkshake

14 ½ colheres de sopa

2 colheres (sopa) de achocolatado

1 colher de sopa

1 colher (sopa) de ketchup

1 ½ colheres de sopa

1 barra de cereal

½ colher de sopa

1 lata de refrigerante

2 ½ colheres de sopa

 

Ficar atento ao açúcar que está por trás dos alimentos é importante, pois eles não possuem benefícios nutricionais. Apenas aumentam as calorias da dieta, sem agregar nutrientes, já que a maioria dos alimentos ricos em açúcar é pobre em vitaminas e minerais. A consequência disso é o maior aumento de casos de obesidade e outras doenças crônicas.

Leia sempre o rótulo e evite esses alimentos açucarados. Eles podem não ser tão doces assim para nossa saúde.

Anúncios

Açúcar refinado ou açúcar mascavo?

Foto: Paul Laird

Dentro do grande apelo que existe atualmente em relação ao consumo de alimentos saudáveis e naturais, é frequente encontrarmos informações a respeito da superioridade do açúcar mascavo em relação ao refinado.

A produção de açúcar começa quando, nas usinas, a cana de açúcar é espremida liberando seu caldo. Este passa por diferentes processos, até sua evaporação, restando apenas cristais sólidos. A partir desta etapa, é obtido o melado e o açúcar passa pelos processos de purificação e refinação, momento em que o produto recebe tratamentos químicos para melhorar seu gosto e sua aparência.

O açúcar mascavo, também chamado açúcar bruto, é obtido após o processo de purificação, não passando pela etapa de refinamento. Sua cor vai de marrom claro a marrom escuro, dependendo do tipo de cana utilizada em sua produção. Seu sabor é mais forte, parecido ao do caldo de cana, sendo um dos motivos da baixa aceitabilidade.

O açúcar refinado, ou açúcar de mesa, por passar pelo processo de refinamento acaba perdendo os minerais (cálcio, magnésio, fósforo e potássio) presentes na cana de açúcar. Fato este que não acontece com o mascavo. Em relação à composição, essa é a principal diferença entre eles. Entretanto, isso não sugere necessariamente que consumir o mascavo é mais saudável que o refinado: o teor calórico e de carboidratos é similar, e o consumo exagerado de qualquer um é considerado ruim para a saúde. Ainda há uma importante questão em relação aos minerais do açúcar mascavo, que estão presentes em pequena quantidade e não é difícil obtê-los em outros alimentos do nosso dia a dia; para conseguir atingir as necessidades diárias de minerais, seria necessário consumir porções imensas deste açúcar, o que não seria nada saudável.

Portanto, agora que você já sabe as diferenças entre os açúcares, escolha o tipo de açúcar que mais agrada, ou que combine com sua receita e use com moderação.