Obesidade como doença e com diretrizes de tratamento no período greco-romano

As complicações que a obesidade traz à saúde humana estão claramente descritas nos estudos médicos do período greco-romano. Nos textos hipocráticos, está descrito que a morte súbita era muito mais freqüente nos pacientes gordos que nos magros. Os mesmos escritos referem que as mulheres gordas eram menos férteis que as magras, sendo esta infertilidade atribuída às dificuldades na cópula e ao acúmulo de gordura fechando a entrada do útero e impedindo a admissão dos líquidos seminais. Hipócrates preconizava que o obeso, para emagrecer, deveria fazer uma quantidade de exercícios depois de alimentar-se, deveria comer uma só vez ao dia, não tomar banho, dormir em uma cama dura e caminhar desnudo a maior parte do tempo.

 No mundo romano, a obesidade era vista como uma doença social e moral capaz de derrubar tiranos e aviltar até os patrícios mais ricos. O gordo era considerado, de modo geral, uma pessoa de má índole ou boba.

 A obesidade era atribuída a Pletora, sangue que era transformado em gordura ao invés de transformar-se em sangue menstrual ou sêmen.
De forma semelhante, o fator congênito, familiar, como o estilo de vida, estavam implicados no aparecimento e evolução da enfermidade. A mulher, “por ser úmida e mais fria do que o homem e por ser confinada a casa”, era mais propensa à obesidade, embora o homem que bebesse muito vinho e comesse em demasia também fosse considerado de risco. Os pacientes procuravam auxílio somente por razões estéticas.

 Os médicos, por seu lado, reconheciam que a obesidade era uma doença grave, de difícil tratamento, que diminuía a expectativa de vida e dificultava a fertilidade em ambos os sexos. O tratamento preconizado na época consistia em uma dieta especial de alimentos com baixas calorias: pão de cevada, vegetais verdes e restrição da quantidade de líquidos e da comida, o gordo era também encorajado a fazer exercícios e banhar-se várias vezes ao dia. Embora a obesidade fizesse parte do contexto da medicina daquela época, ela, como até hoje, tinha uma conotação de desprezo, não sendo levada suficientemente a sério, a tal ponto de os médicos romanos não costumarem pesar seus pacientes obesos, o que impediu uma abordagem mais objetiva, tanto no diagnóstico como no acompanhamento dos resultados obtidos na época.

 Galeno, considerado o maior médico da Antiguidade (século II), tendo escrito mais de 125 tratados médicos, discorrendo sobre os mais variados aspectos da arte (anatomia, fisiologia, higiene e terapêutica) identificou e descreveu dois tipos de obesidade: a moderada e a imoderada. A primeira, uma forma natural de gordura, e a segunda, uma forma patológica. No seu livro, De Sanite Tuenda, Galeno diz: “A arte de evitar a gordura e manter a boa saúde é ser obediente, pois nos desobedientes , isto é impossível”.
Essa observação reflete o pensamento de Galeno e de muitos médicos da atualidade, que veem na obesidade um distúrbio de personalidade do indivíduo.

 

 

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