Descobrindo o Cupuaçu

Cupuaçu, cupu, pupuasu (português) ou cacao blanco (espanhol), são nomes utilizados para falar do Cupuaçu, fruto característico da Amazônia que além de exótico consegue agradar diferentes paladares. Pertence ao mesmo gênero do cacau e tem seu nome originado na língua Tupi (kupu = que parece com o cacau; uasu = grande).

A disseminação do cupuaçu, tanto no Brasil como no mundo, é resultado dos diversos produtos deste fruto que variam entre sucos, bolos, cremes, sorvetes e geleias feitos da polpa, cupulate (chocolate de cupuaçu), muitas receitas o que incluem como o ingrediente diferencial e até produtos cosméticos feitos da semente.

A polpa tem cor branco-amarelada, é fibrosa com sabor um pouco ácido. Possui grande quantidade de vitamina C (110mg por 100g), superando o encontrado em uma laranja Baía; pode-se dizer que não é boa fonte de proteínas e gorduras (1,9% e 0,5%), deixando este papel para as sementes que tem em sua composição cerca de 60% de gorduras. É exatamente por esta característica que o cupuaçu pode substituir parcialmente (no máximo 5%) a manteiga de cacau na produção do chocolate, sem alterações nas características sensoriais.

Já o cupulate é um produto similar ao chocolate desenvolvido e patenteado pelo EMBRAPA, que possui sabor agradável e é feito com as sementes torradas do cupuaçu. Entretanto, para aqueles que o consideram uma alternativa ao tradicional chocolate, é importante destacar a diferença na composição do cupuaçu e do cacau, já que o primeiro possui uma quantidade de polifenólicos 3 vezes menor em relação ao segundo. Ainda, após o processamento para a obtenção do cupulate, observa-se metade do teor de fenólicos, taninos e atividade antioxidante quando comparado ao chocolate. Portanto, o chocolate com altas concentrações de cacau ainda é o mais recomendado como alimento cardioprotetor.

Autora: Nutr. Marilia Zagato

Açaí, o fruto que ganhou o mundo

O açaí, fruto de origem indígena, é produto do açaizeiro, espécie de palmeira que existe em toda a região da Amazônia. O Brasil é o maior produtor, consumidor e exportador de açaí, entretanto, é no Pará que está sua maior concentração natural. A culinária paraense emprega o fruto de diferentes formas, sendo amplamente consumido em forma de mingau preparado sem sal nem açúcar, acompanhando peixe, camarão, charque e farinha de mandioca. Já no Sul e Sudeste do país são mais comuns os sucos e cremes.

É um fruto extremamente nutritivo, que possui grande quantidade de fibras, além de boa fonte de vitamina E, e alguns minerais como potássio, cálcio e magnésio. Possui também alto teor de antocianinas, responsáveis pela cor roxa do fruto, que são antioxidantes com propriedades anticarcinogênica, antiinflamatória, além de auxiliar na prevenção de doenças cardiovasculares e neurológias. As antocianinas são encontradas também em vinhos e sucos de uva, porém a quantidade presente no açaí supera em até 10 vezes a do vinho tinto.

Outra curiosidade que vale a pena ressaltar é a respeito do valor energético do açaí, que se dá principalmente pelo seu conteúdo de lipídeos (gorduras), que correspondem a aproximadamente 70% das calorias contidas no alimento. O perfil dessas gorduras se assemelha a do azeite de oliva tendo 25% saturadas, 15% poliinsaturadas e 60% monoinsaturadas. Essa composição confunde os praticantes de exercício físico que o utilizam para ter mais energia durante o treino, entretanto nestes casos a melhor fonte são os carboidratos, presentes em pequena quantidade no fruto.

Assim como outros alimentos, o açaí é uma iguaria brasileira que ganhou fãs pelo mundo inteiro, mas não é tão fácil encontra-lo fora do Brasil. Portanto, aproveite que está no país e deguste uma preparação com açaí, saboreando seu sabor exótico e desfrutando os benefícios nutricionais.

Nutricionista Marilia Zagato