Maçã, o fruto nada proibido

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Foto: Karolina Przybysz

A maçã pertence à família Rosaceae (mesma família do morango e do pêssego), é típica de clima temperado e exige certos cuidados em sua cultura. No Brasil, as regiões mais recomendadas para o cultivo são os estados do sul, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

A maçã é uma fruta visualmente atrativa e com um sabor delicado, já fez parte da muitas histórias ou lendas religiosas, da ciência e até de histórias infantis. Ela já foi considerada o “fruto proibido” que Eva comeu e por isso ela e Adão foram expulsos do Paraíso. E também, graças a ela, Issac Newton teve sua ideia sobre a gravitação, enquanto descansava embaixo de uma macieira.

O fato é que a maçã é uma fruta muito versátil, encontrada o ano todo, que pode ser consumida in natura, ou ser usada em diversas receitas, doces e salgadas. Seu sabor característico é devido à presença de açúcares e alguns ácidos orgânicos, principalmente o ácido málico.

A média de consumo no Brasil, por pessoa, varia entre 5 a 6Kg de maçã ao ano. Esse número é muito aquém quando comparado a outros países. Entretanto, a maçã deveria ser de fato mais consumida. Apesar de serem necessárias maiores evidências científicas, algumas pesquisas tem demonstrado que o consumo de maçã ajuda na prevenção de doenças cardiovasculares e câncer, mas não há uma indicação de quantidade e frequência, bem como de indicação para determinados grupos da população.  Sabe-se que a fruta possui flavonóides, principalmente a quercetina, que ajuda a diminuir a formação de radicais livres, e também pectina, uma fibra solúvel – ajuda a controlar o nível do colesterol sanguíneo e manutenção da glicemia.

A maçã pode ser encontrada em diferentes tipos:

Fuji: sua polpa é firme e crocante. Possui uma leve acidez e é extremamente aromática.

Gala: sua polpa é firme e bem doce. Sua casca tem um vermelho intenso e sua consistência é crocante.

Argentina/Red: sua polpa é mais esbranquiçada e a consistência de sua polpa é menos maciça, dando a impressão de que ao morder “esfarela” na boca.

Verde: sua casca não possui o pigmento antocianina e, por isso é verde. Possui baixo teor de açúcar e tem sabor bastante ácido, sendo ideal para receitas salgadas.

Escolha seu tipo preferido e se beneficie com todo o sabor da maçã.

A tão conhecida Banana

ImageA banana é, provavelmente, a fruta mais conhecida pelos brasileiros, então qual o motivo para falar a respeito dela? O motivo é exatamente este!

Com milhões de apreciadores pelo mundo, não é de se estranhar que ela é o quarto produto alimentar mais consumido mundialmente, ficando atrás apenas do arroz, trigo e milho! No Brasil, a banana é a fruta de maior consumo per capita, atingindo cerca de 35Kg por ano, em todas as camadas da população.

Não é difícil entender essa preferência, afinal a banana madura possui sabor doce e agradável, é fácil de ser consumida, tem preço acessível, combina com vários alimentos diferentes e ainda é saudável. In natura, coberta com açúcar e canela, com aveia e mel, em doces, tortas, pizzas, saladas, vitaminas, empanada e frita, em pratos salgados com peixe, entre outros. Essa é a versatilidade da banana que não para por aí; folhas da banana podem ser usadas para envolver assados e até a banana verde, pela sua grande quantidade de amido, é protagonista de alguns pratos como o Azul-Marinho, um peixe ensopado que fica com esta cor graças a liberação de taninos da banana verde.

Além das muitas opções de consumo, ainda é possível se beneficiar de suas propriedades. A composição varia de acordo com o estado de maturação e entre os diferentes tipos: nanica, prata, ouro, da terra e maçã. Ainda assim, contem grandes quantidades de potássio, fósforo, cálcio e magnésio, além das vitaminas C, B6 e folato (B9).

Apesar de ser amplamente produzida no Brasil e demais países tropicais, a banana teve sua origem no sudeste da Ásia há pelo menos 5000 a.C. Por aqui, as bananeiras só apareceram entre os séc. XV e XVI quando os colonizadores portugueses disseminaram a fruta em suas colônias.

Ficou com vontade? Escolha seu tipo de banana preferido e bom apetite!

Autora: Nutr. Marilia Zagato

O destaque da amora-preta entre as frutas vermelhas

Muito se ouve falar a respeito das frutas vermelhas e seus benefícios para a saúde. Mas afinal, como incentivar esse consumo no Brasil, considerando que estas não são nativas?

Antes de falar sobre o consumo no Brasil, vale saber quais as frutas que compõem este grupo: amoras vermelhas e pretas, framboesas, mirtilo e o morango, são alguns exemplos, mas existem outras variedades que não são muito difundidas e consumidas no país, como o cranberry e gooseberry, entretanto hoje o destaque será para a amora-preta. Dados mostram que as regiões com climas mais amenos, como o Sul e algumas cidades do Sudeste do país, são ótimas para o cultivo das amoreiras e que esta produção tem crescido ao mesmo tempo em que houve aumento promissor do consumo dos brasileiros.

ImageEsta fruta, assim como as demais frutas vermelhas, pode ser usada para a confecção de doces, geleias, sorvetes e polpas. A alta qualidade nutricional presente na amora-preta pode ser perdida quando utilizada neste tipo de preparação, devido à ação do calor ou outros processamentos. Dentre os benefícios nutricionais, a fruta possui os ácidos fenólicos e também os flavonoides, compostos fitoquímicos responsáveis pela ação antioxidante. Alguns estudos já demonstraram que estes são responsáveis por efeitos anticarcinogênicos de útero, de cólon, oral, de mama, de próstata e de pulmão. Além disso, possui a pectina, uma fibra solúvel que ajuda a reduzir os níveis de colesterol no sangue, auxiliando no controle das doenças cardiovasculares.

Ainda não se sabe ao certo qual é a quantidade de amoras a ser consumida por dia e também qual o grau de conservação dos compostos fitoquímicos após o processamento. O que as pesquisas atuais mostram é que o consumo de amora-preta em polpas, cápsulas e até na geleia, apesar de serem boas alternativas de consumo e manterem certo grau de conservação dos aspectos nutricionais da fruta, ainda não se comparam a qualidade da fruta in natura. Além dos benefícios à saúde, a amora-preta ainda possui sabor agradável e propicia um toque especial às receitas e aos pratos.

Autora: Nutr. Marilia Zagato

Descobrindo o Cupuaçu

Cupuaçu, cupu, pupuasu (português) ou cacao blanco (espanhol), são nomes utilizados para falar do Cupuaçu, fruto característico da Amazônia que além de exótico consegue agradar diferentes paladares. Pertence ao mesmo gênero do cacau e tem seu nome originado na língua Tupi (kupu = que parece com o cacau; uasu = grande).

A disseminação do cupuaçu, tanto no Brasil como no mundo, é resultado dos diversos produtos deste fruto que variam entre sucos, bolos, cremes, sorvetes e geleias feitos da polpa, cupulate (chocolate de cupuaçu), muitas receitas o que incluem como o ingrediente diferencial e até produtos cosméticos feitos da semente.

A polpa tem cor branco-amarelada, é fibrosa com sabor um pouco ácido. Possui grande quantidade de vitamina C (110mg por 100g), superando o encontrado em uma laranja Baía; pode-se dizer que não é boa fonte de proteínas e gorduras (1,9% e 0,5%), deixando este papel para as sementes que tem em sua composição cerca de 60% de gorduras. É exatamente por esta característica que o cupuaçu pode substituir parcialmente (no máximo 5%) a manteiga de cacau na produção do chocolate, sem alterações nas características sensoriais.

Já o cupulate é um produto similar ao chocolate desenvolvido e patenteado pelo EMBRAPA, que possui sabor agradável e é feito com as sementes torradas do cupuaçu. Entretanto, para aqueles que o consideram uma alternativa ao tradicional chocolate, é importante destacar a diferença na composição do cupuaçu e do cacau, já que o primeiro possui uma quantidade de polifenólicos 3 vezes menor em relação ao segundo. Ainda, após o processamento para a obtenção do cupulate, observa-se metade do teor de fenólicos, taninos e atividade antioxidante quando comparado ao chocolate. Portanto, o chocolate com altas concentrações de cacau ainda é o mais recomendado como alimento cardioprotetor.

Autora: Nutr. Marilia Zagato

Açaí, o fruto que ganhou o mundo

O açaí, fruto de origem indígena, é produto do açaizeiro, espécie de palmeira que existe em toda a região da Amazônia. O Brasil é o maior produtor, consumidor e exportador de açaí, entretanto, é no Pará que está sua maior concentração natural. A culinária paraense emprega o fruto de diferentes formas, sendo amplamente consumido em forma de mingau preparado sem sal nem açúcar, acompanhando peixe, camarão, charque e farinha de mandioca. Já no Sul e Sudeste do país são mais comuns os sucos e cremes.

É um fruto extremamente nutritivo, que possui grande quantidade de fibras, além de boa fonte de vitamina E, e alguns minerais como potássio, cálcio e magnésio. Possui também alto teor de antocianinas, responsáveis pela cor roxa do fruto, que são antioxidantes com propriedades anticarcinogênica, antiinflamatória, além de auxiliar na prevenção de doenças cardiovasculares e neurológias. As antocianinas são encontradas também em vinhos e sucos de uva, porém a quantidade presente no açaí supera em até 10 vezes a do vinho tinto.

Outra curiosidade que vale a pena ressaltar é a respeito do valor energético do açaí, que se dá principalmente pelo seu conteúdo de lipídeos (gorduras), que correspondem a aproximadamente 70% das calorias contidas no alimento. O perfil dessas gorduras se assemelha a do azeite de oliva tendo 25% saturadas, 15% poliinsaturadas e 60% monoinsaturadas. Essa composição confunde os praticantes de exercício físico que o utilizam para ter mais energia durante o treino, entretanto nestes casos a melhor fonte são os carboidratos, presentes em pequena quantidade no fruto.

Assim como outros alimentos, o açaí é uma iguaria brasileira que ganhou fãs pelo mundo inteiro, mas não é tão fácil encontra-lo fora do Brasil. Portanto, aproveite que está no país e deguste uma preparação com açaí, saboreando seu sabor exótico e desfrutando os benefícios nutricionais.

Nutricionista Marilia Zagato