O manejo da obesidade no Império Bizantino

Quando João VI Cantecuzenus, imperador de Bizâncio entre 1347 e 1345, abdicou e tornou-se monge, escreveu as suas memórias, que ficaram registradas no livro Historiae Byzantinae do qual ressaltamos o seguinte relato: “Gavelas, um nobre rico do império, teve problemas para casar com a sua prometida que o rejeitou  por achá-lo gordo e flácido. O noivo, desesperado e inconformado, mandou vir da Itália um médico famoso que lhe cobrou uma grande soma. Sob a orientação desse médico, Gavelas abandonou todos os seus afazeres e responsabilidades para dedicar-se exclusivamente a seguir suas instruções: banhos, drogas energéticas e purgativos, exercícios e uma dieta restritiva. Ele perdeu peso, enfraqueceu, porém conseguiu casar-se com a sua amada”.

Os médicos bizantinos descreviam a obesidade como conseqüência de uma dieta farta, falta de exercícios e mudanças de humor. Ao obeso era recomendada uma dieta rica em vegetais, frutas, peixes e aves, e proibidas carnes vermelhas, os crustáceos, pão, queijo e vinho. Os exercícios e os banhos termais eram mais recomendados, pois faziam suar e, com isso, contribuíam para a perda de peso.

A obesidade na medicina chinesa

Não se sabe ao certo se é história ou mitologia que o Império Chinês tenha sido fundado por três imperadores celestiais, por volta do ano 2000 A. C. Durante seus 100 anos de reinado, Huangt, o último dos três, favoreceu seu povo com um grande número de avanços tecnológicos e culturais, tais como: a roda, o magnetismo, um observatório astronômico, o calendário e o “Nei Ching” que é o mais antigo tratado de medicina chinesa e pelo qual ela se norteou por mais de 2.500 anos. De acordo com o “Nei Ching” era indispensável à boa saúde e a felicidade uma dieta balanceada que permitisse o fortalecimento do corpo, evitando a obesidade e aumentando a longevidade.

O bem-sucedido tratamento da obesidade na Espanha do século X

O rei Sancho I, também conhecido como Sancho, “o gordo”, subiu ao trono de Leon depois da morte de seu pai no ano de 958; porém, considerado inapto por ser extremamente gordo, foi deposto por sua própria corte. A rainha mãe, sua avó, inconformada com o fato, apelou para o califa do reinado vizinho de Córdoba, que possuía um método famoso.
O rei Sancho recebeu a consulta dos médicos de Cordoba. Estreitando os laços entre os dois países. Como decorrência disso, os dois reinos, Leon e Córdoba, tiveram um longo período de paz e entendimento.

No século XII, Maimônides, médico, filósofo, jurista e astrônomo judeu nascido em Córdoba, em uma de suas obras, a “Preservação da Juventude”, já recomendava comer moderadamente e, se o indivíduo estivesse faminto e sedento, devia esperar um pouco, pois ocasionalmente a fome e a sede poderiam ser ilusórias, numa verdadeira antecipação dos ensinamentos da moderna terapêutica comportamental da obesidade.

Obesidade na arte e na história chegando no controle remoto

Adão e Eva, personagens bíblicos, presentes na história da criação do mundo, não resistiram à tentação. Eva comeu a maçã, proibida. Desde então, fala-se por aí, que por causa desta fruta, também nascemos pecadores e, por isso, não vivemos no paraíso. Será que eu engordei por causa disso? E você, porque está gordo?
Pecadores ou não, é provável que a obesidade seja a doença metabólica mais antiga. Pinturas e estátuas em pedra com mais de 20 mil anos já representavam figuras de mulheres obesas. As mesmas evidências de obesidade foram vistas em múmias egípcias, pinturas e porcelanas chinesas da era pré-cristianismo, em esculturas gregas e romanas e, mais recentemente, em vasos dos maias, astecas e incas na América pré-colombiana.

Dois tipos de obesidade – glútea e abdominal – são representados em diversas pinturas e esculturas da Idade da Pedra que foram encontradas nos mais diversos lugares da Europa. A obesidade do tipo glútea é a que prevalece na arte da Idade da Pedra na França, Espanha, Creta, Iugoslávia, Checoslováquia e Ucrânia. Em contraste, a obesidade do tipo abdominal foi encontrada na Áustria (Vênus de Villendorf) e Romênia. A obesidade visceral parece estar mais associada aos povos com fartura de alimentos e maior sedentarismo, estando sempre mais ligada a enfermidades, enquanto a obesidade glútea estaria mais relacionada a um temporário armazenamento de energia para garantir a sobrevivência do indivíduo e da espécie, e não parece estar relacionada às enfermidades.
A arte da Idade da Pedra nos dá um vislumbre dentro da emergente situação da humanidade daquela época, permitindo-nos avaliar através dela – e não da escrita, que não existia – as modificações sofridas durante o fim da era neolítica, quando a sociedade iniciou as mudanças centradas numa paulatina urbanização e agricultura organizada, fatores estes que certamente tiveram um impacto na dieta, na atividade física e no conseqüente aparecimento da obesidade.

Desde o momento em que Deus criou o céu e a terra, teve início a jornada de poupança de energia. Os principais marcos desta economia metabólica foram: a invenção da roda, a aradura da terra e a cultura dos cereais, que poupou o homem da caça e da procura de alimento, a utilização de animais domesticados para a tração e o transporte e, mais recentemente, a invenção da máquina a vapor, do motor elétrico, do transporte automotivo, da automação e robotização, tudo culminado no uso, em nossos lares, deste pequeno e fantástico aparelho poupador de energia músculo-calórica, o controle remoto.

 

Sudorese diminui o peso, mas não emagrece.

Muitas pessoas acreditam que a perda de suor (sudorese) durante a prática de uma atividade física significa emagrecimento. Na verdade, a sudorese é uma resposta do nosso corpo para o controle da temperatura corpórea por meio da perda de água, mas esta nem sempre é compensada pela ingestão de líquidos e regulação da temperatura.
Sem dúvida, a sudorese promove variação do peso corporal, mas para que o processo de emagrecimento aconteça é necessária à queima de gordura. Esta por sua vez só acontece quando as atividades são sistematizadas (superiores a três vezes na semana), praticadas em intensidade de leve à moderada e por longa duração.
Sendo assim, a realização de exercícios com os corpos cobertos de roupas pesadas ou enrolados em plásticos serve apenas para desidratar.

Sabemos que a desidratação antecede a sede, provocando diminuição do volume de sangue e aumento da concentração de sódio e potássio.
Assim, ao sentir sede o indivíduo já está desidratado e, desta forma, pode apresentar efeitos deletérios ao desempenho físico e à saúde.

Quando sentimos sede já estamos em processo de hipohidratação. Por isso, não podemos esperar a manifestação da sede para aumentar o consumo de líquidos.
Mesmo um grau leve de desidratação como 1%, 2% ou 3% do peso corporal pode prejudicar a capacidade de desempenho físico. Já a perda excessiva de 5% do peso corporal pode reduzir a capacidade de esforço em aproximadamente 30%. Na prática, isto significa uma redução na qualidade dos treinos. A desidratação severa, redução de 10% do peso corporal pode ser fatal, uma vez que o exercício nestas condições promove uma rápida elevação da temperatura corpórea e o início das complicações provenientes do calor.
No dia a dia de uma cozinha, da mesma forma que na atividade física, devemos abusar dos líquidos.
Autora: Nutricionista Michele Trindade
Referências:
Machado-Moreira CA et al. Hidratação durante o exercício: a sede é suficiente? Rev Bras Med Esporte. 2006; 12(6):405-409.
American College of Sports Medicine – Position Stand: Exercise and fluid replacement. Med Sci Sports Exerc. 1996; 29:1-11.

Os vilões do ganho de peso, segundo classificação de Havard


Estudo epidemiológico da universidade Havard publicado no The New England Journal of Medicine ranqueou os principais vilões do ganho de peso e que estão presentes no dia a dia da sociedade moderna.

A pesquisa foi feita com 120 mil homens e mulheres não obesas, em 13 anos. No período, eles ganharam em média 1,5 kg a cada quatro anos.

Classificação dos “vilões” em ganho  de peso /4 anos.

1- O maior vilão foi a “batata chips”, contribuindo com quase 800 gramas de ganho de peso.
Walter C. Willett, chefe do Departamento de Nutrição da Escola de Saúde Pública de Harvard diz que a batata deve ser consumida ocasionalmente e em quantidades modestas.

2- O segundo vilão é a ” baked potato”  que aumenta o nível de açúcar no sangue e insulina mais rapidamente e a níveis mais altos do que açúcar puro na mesma quantidade de calorias
As batas fritas fazem o mesmo, com o adicional da gordura.
A batata foi responsável pelo ganho de 580 gramas

3- Em terceiro lugar, ficaram as bebidas adoçadas que contribuíram com o ganho de 460 gramas.
4- A carne vermelha é quarta maior vilã do peso, contribuindo para o aumento de 430 gramas.
5- As Carnes processadas, como salame e outros frios, promoveram o aumento de 420 gramas
6- A sexta posição é dos doces e sobremesas, que contribuíram com 230 gramas.
7- Na sétima posição, o álcool: um drink por dia aumenta o peso em 190 gramas.
8- Em oitava posição vem o cigarro. Quem acabou de parar de fumar pode ter o aumento de até 2,34 kg
9- Dormir menos de seis horas ou mais de oito também contribui para o ganho de peso
10- Cada hora na frente da TV por dia gera um aumento de 140 gramas em 4 anos

Fontes:
 www.uol.com.br, acesso em 22/01/2012
www.nutricaoclinica.com.br, acesso em 25/01/2012